domingo, 16 de agosto de 2009

O que as cédulas nos contam


Entenda como as mudanças políticas e econômicas e temas como cultura e meio ambiente mudaram a cara do dinheiro brasileiro nas últimas cinco décadas

Ricardo F. Santos

O Brasil já trocou de moeda oito vezes em pouco mais de 50 anos. É um número excepcional, principalmente se comparado com outros países de economia mais estável, como EUA e Japão, cujas moedas já têm mais de um século. Apesar de terem sido provocadas por crises econômicas e altas taxas inflacionárias, as sucessivas mudanças de unidades monetárias têm um aspecto positivo.

Diferentes pessoas, lugares, animais e cenas históricas representadas nas cédulas de dinheiro refletem como os países se veem – e como eles querem ser vistos pelo resto do mundo. Com a mudança frequente das cédulas, podemos analisar, por meio do dinheiro, as mudanças na economia, na sociedade e na importância de temas como cultura e meio ambiente no Brasil.

O professor de jornalismo da Universidade de Northwestern (EUA) David Standish é autor do livro The Art of Money (“A arte do dinheiro”, sem tradução para o português), no qual analisou notas de dinheiro em mais de 80 países. Além da beleza das ilustrações, levou em conta pessoas representadas (políticos, artistas, militares, gente comum), gravuras, cores, números, acabamento, todos os elementos que refletem o momento por que passa o país. A convite de ÉPOCA, ele analisou as cédulas brasileiras das últimas décadas, e interpretou a história contada pelo dinheiro.

“Um país coloca em sua moeda o que acha importante ou legal sobre si”, diz Standish. E geralmente isso significa líderes políticos, históricos ou atuais. Duque de Caxias, Barão de Rio Branco, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel e D. João VI estiveram todos na primeira série de Cruzeiros (1942-67).

Segundo Standish, as mudanças no dinheiro brasileiro acompanharam a evolução da maioria das moedas pelo mundo. Ele afirma que, na década de 1980, houve uma tendência de “democratização das imagens”. “A parte de trás da nota de 200 cruzeiros, de 1981, ilustra mulheres cozinhando, e foge das representações de políticos e lugares famosos; é uma tendência interessante, que mostra gente normal fazendo atividades cotidianas.” Outra semelhança com o que ocorreu pelo mundo foram as notas que exibiam a tecnologia avançada do país, com torres, antenas e até aeroportos internacionais, especialmente nas economias emergentes.

Economia e política nas cédulas

Depois do fim do Cruzeiro, em 10 anos a inflação fez mudar cinco vezes a moeda nacional até conseguir estabilidade no Real. Os efeitos da inflação alteram bastante o aspecto das notas. A começar pelas impressões sobrepostas, que parecem carimbos em cima das notas antigas, reduzindo seu valor drasticamente. “O único motivo para fazer uma impressão sobreposta é economizar dinheiro, porque é mais barato do que criar uma nova série de cédulas”, afirma Standish.

Em seu livro ele cita o exemplo da Iugoslávia, que, após sua divisão no começo da década de 1990, passou por uma hiperinflação que levou o país a emitir uma nota de 500 bilhões de dinara. O Zimbábue, em 2008, estava em situação ainda pior: chegou a lançar uma nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos (são 14 zeros). Em 1993, o Brasil emitiu uma cédula de 500 mil cruzeiros; e um ano depois criou a de 1 real.

Diferentemente da Iugoslávia e do Zimbábue, o Brasil sempre mudou o nome da moeda a cada reajuste de valores. Standish diz que isso é proposital. “Os países mudam o nome do dinheiro na esperança de que as pessoas esqueçam a inflação que o precedeu”, afirma. O Cruzado, lançado em 1986, foi um desses casos, mas não foi apenas seu nome que tencionava acalmar os ânimos das pessoas. A recente agitação política, depois dos 21 anos de ditadura, pode ter levado o governo a preferir nas novas cédulas alguns personagens que não dividam opiniões, como artistas e cientistas. “As pessoas podem gostar de serem lembradas das artes e da cultura do país, e não apenas de quem os está governando”, diz.

Por essa razão, figuraram nos cruzados Machado de Assis, Villa-Lobos e Candido Portinari. Mesmo no curto período do Cruzado Novo (1989-90), ainda prestou-se homenagem aos poetas Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, e inaugurou-se uma nova tendência com o retrato de Augusto Ruschi, considerado o “Patrono da Ecologia” no Brasil, e orquídeas e beija-flores. O que começa a acontecer na moeda mundial é a celebração da natureza. É esse conceito que definiu as atuais imagens do Real, com representações de animais e da vida selvagem. “A África do Sul, há quase 20 anos, trocou as imagens de políticos por de rinocerontes, leões e elefantes, ficou muito bonito. Eu gosto muito das notas atuais brasileiras, principalmente a do mico-leão dourado (R$ 20) e a da tartaruga marinha (R$ 2)”, diz Standish.


“É um progresso vocês terem a mesma unidade monetária há 15 anos”, brinca. Quanto ao fato de não haver nem líder político nem artistas, ele comenta: “Talvez as notas não ilustrem um político ou artista porque sentiu-se que não existe alguém tão presente na vida do brasileiro para quem ele deva olhar todos os dias na nota de dinheiro. Talvez haja uma falta de líderes fortes”.

Standish elegeu a cédula de 500 cruzeiros, de 1980, a mais bonita de todas as que analisou. “Quando eu analiso uma nota, eu levo em conta tanto a beleza visual quanto o que ela está representando. Esses mapas são uma simplificação adorável para mostrar a evolução do país”, afirma. A nota favorita de Standish deixou de circular em 1986 , porque não bastava ela ser bonita para não sair de moda.

Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI88015-15223,00-O+QUE+AS+CEDULAS+NOS+CONTAM.html


sábado, 15 de agosto de 2009

Especial: O que mais dá prazer na profissão de Economista?

"O que me dá mais prazer na profissão que escolhi é me sentir realizada, pois ela me possibilitou trabalho, e no meu trabalho, desenvolver várias atividades que contribuiram para o desenvolvimento do município onde moro, além de gerar informações e dados que possibilitaram a estudantes, comunidade, instituições, outras pessoas, CONHECIMENTO desse trabalho".
(Rosa de Fátima Almeida de Oliveira, presidente do CORECON-GO)

"O que me dá mais prazer é ter consciência de que com pouco que sei sobre economia, posso contribuir para o progresso da sociedade".
(Antonio Luiz de Queiroz Silva, presidente do CORECON-SP e conselheiro suplente do COFECON)

"Quando concluí o Curso de Economia na PUC-RS a faculdade tinha o nome de Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas. Este nome ficou adormecido por muitos anos dentro de mim. Já formado me vi dentro do cipoal do jargão dos economistas, o conhecido "economês". No decorrer de várias atividades desenvolvidas, seja na atividade privada ou na área pública, meus horizontes foram se ampliando e verifiquei que podia transformar em coisas simples as coisas difíceis. As atividades junto aos profissionais dos mais diversos setores públicos e privados, obrigaram que ampliasse o meu foco de visão. Desta forma pude compreender o meu papel dentro do campo da atividade de economista e que em conjunto com outros profissionais deveríamos fazer o melhor para a sociedade. Gradualmente fui me distanciando do hermetismo colocado pelo "economês" e ampliando a capacidade de me fazer entendido. A leitura ampliada, além dos livros de economia, me fez encontrar a famosa frase de Baltasar Gracián (1601-1658): "Tratar o fácil como se fosse difícil e o difícil como se fosse fácil". Foi então que a palavra Política (que fazia parte do velho nome da faculdade) acabou despertada e mostrou a amplitude do que é a profissão. A partir deste momento, em toda as atividades em que atuava procurei fazer com que superiores e subordinados tivessem a compreensão mais clara possível do que deveria ser realizado. Tive então o prazer de ver que a função do economista se encaixava perfeitamente com outras profissões, e juntos estávamos em atuação para o mesmo fim. A Economia não era uma profissão estanque, foi o início de um terreno plano, fácil e prazeroso de caminhar. Desde então procuro ser extremamente claro nos artigos e comentários que faço. A resposta dos que me lêem comprova que estou no caminho certo".
(Décio Batista Pizzato, economista gaúcho, colunista do site do COFECON)

"É ter a compreensão de que a ciência ou conhecimento científico é um pedaço da mesa, que o ser humano é formatado para ser feliz e solidário. E que a maior de todas as compreensões é a capacidade do homem de ser sujeito e não objeto da sua história".
(Wilson Benício Siqueira, professor, presidente do CORECON-MG)

"É ver o sucesso e a satisfação do cliente".
(Humberto Dalsasso, economista catarinense, consultor de alta gestão e colunista do site do COFECON)

"A importância dos nossos trabalhos técnicos realizados por economistas, os quais norteiam em que direção deve caminhar a sociedade e quais as medidas preventivas a serem adotadas seja no Planejamento Estratégico, seja na formulação de soluções para os diversos problemas existentes no meio em que vivemos".
(Claudiney Henrique Leal da Cunha, consultor, docente, presidente do CORECON-TO)

"Depende muito da ocupação desempenhada. O que mais dá prazer é saber que você pode contribuir para melhorar a vida de muita gente, quer trabalhando no setor público, quer trabalhando no setor privado, quer trabalhando na academia. O economista consegue desempenhar bem seu papel e contirbuir pra melhorar padrão de vida de muita gente".
(Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, em São Paulo, ex-conselheiro federal e colunista do site do COFECON)

"É saber e ter a certeza de que desempenhei minhas atividades como economista na área de planejamento governamental, orçamento e gestão contribuindo para o crescimento e melhoria do meu Estado, beneficiando nossa população. E ainda ter o conhecimento de que nosso país cresceu com o trabalho dos economistas".
(José Carlos Oliveira de Souza, presidente do CORECON-SE)

"O maior prazer da profissão é a visão que passamos a ter dos mundo depois que adquirirmos conhecimento das teorias, dos estudos, das pesquisas e dos acontecimentos do dia a dia na economia".
(Wilson Roberto Villas Boas Antunes, conselheiro federal paulista)

Fonte: http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1843&Itemid=1

UFOP investe na construção de moradias estudantis em Mariana

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), por meio da Pró-Reitoria de Administração (Proad), investiu R$ 1,5 milhão na aquisição de um terreno para construção de moradias estudantis na cidade de Mariana.

As moradias seguirão o mesmo projeto arquitetônico das que estão em construção no campus Morro do Cruzeiro em Ouro Preto e consistem em alojamentos com dois quartos, banheiro, cozinha, sacada e área de lavanderia para uso comum – sendo que cada apartamento é direcionado para quatro estudantes.

Segundo o Pró-Reitor de Administração da UFOP, André Lana, a localização das moradias é estratégica, pois está próxima à rodoviária da cidade, ao Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) e ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS). “Além de ser uma área segura, os alojamentos estarão próximos a farmácias, supermercados e demais comércios essenciais para o dia-a-dia dos estudantes dos sete cursos do campus de Mariana”, relata.

O terreno se localiza na esquina da Avenida Nossa Senhora do Carmo com a Rua Taxista Joãozinho Vieira e possui 1800m² de extensão.

A previsão do uso das moradias é para o primeiro semestre de 2011. A seleção de moradores será realizada por meio de critérios sócio-econômicos definidos pela Pró-Reitoria Especial de Assuntos Comunitários e Estudantis (PRACE) da Instituição.

Fonte: http://www.ouropreto.com.br/noticias/detalhe.php?idnoticia=2168

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Abertura de Turma

Pessoal que repetiu cálculo I e não conseguiu vaga na nova turma, e não teve o requerimento para abertura de vaga aceito. A professora Cristiane vai abrir uma nova turma especial para essa galera, as aulas serão quarta as 21:00 e quinta às 19:00. Para se matricular, o aluno tem de ir no ICSA (de preferência na terça) e conversar com a Marli, há vagas para todos!

Ps: Favor passar essa mensagem para todos que precisam!

Especial: Por que recomendar o curso de Economia

"Entendo que um curso de Economia com boa base conceitual e alta praticidade poderá contribuir para uma jovem força empreendedora, estimulando o surgimento de empreendimentos saudáveis e com muita chance de sucesso".

(Humberto Dalsasso, economista catarinense, consultor de alta gestão e colunista do site do COFECON)

"Porque é um curso que prepara o jovem para o mundo globalizado. O referido curso forma e capacita tecnicamente o jovem para pensar e agir diante das questões econômicas para melhorar ou resolver os problemas sociais".
(José Carlos Oliveira de Souza, presidente do CORECON-SE)

"É uma profissão que permite você conhecer e opinar em todos as demais profissões, pois em qualquer negócio se busca a obtenção de viabilidade econômica e, por consequência, o lucro. Para isso é importante a produção de diagnósticos - que são a tradução dos entraves e das dificuldades que se vive em determinado momento, permitindo que você explicite alternativas de sobrevivência e de progresso das gestões, sejam elas públicas ou privadas, e da sociedade civil organizada".
(Wilson Roberto Villas Boas Antunes, conselheiro federal paulista)

"Porque considero ser o único curso que congrega as principais habilidades para entender como o mundo funciona e poder interferir nesse funcionamento de forma decisiva. Isso significa que o economista possui um amplo campo de atuação, pois ele é capaz de compreender rapidamente a dinâmica do nosso mundo em suas diversas faces e propor soluções adequadas mais rápido do que outros profissionais".
(Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari, presidente do CORECON-ES)

"Recomendaria o curso porque é o que oferece a maior gama de conhecimento e dá a firmeza para atuar profissionalmente nas diversas possibilidades que o mercado de trabalho oferece".
(Claudiney Henrique Leal da Cunha, consultor, docente, presidente do CORECON-TO)

"Eu recomendo o curso de Economia aos jovens porque é um curso apaixonante. Você aprende a ver a realidade de forma global, é como se sua mente se abrisse para uma vastidão de conhecimentos. Na verdade é isso que acontece: você tem acesso a uma vastidão de conhecimentos".
(Rosa de Fátima Almeida de Oliveira, presidente do CORECON-GO)

"Porque é um curso que permite ao jovem ampliar a sua visão da transformação pela qual a humanidade passou, ao longo dos tempos. Além disso, lhe possibilita saber como são produzidas e distribuídas as riquezas; qual é a importância da moeda hoje e porque tem de se planejar o presente e o futuro. E, acima de tudo, lhe desperta a consciência de que podemos ter todas as atividades econômicas, mas sem destruir o planeta".
(Wilson Benício Siqueira, professor, presidente do CORECON-MG)

"O curso de economia é um curso que dá uma formação tão ampla e sólida que o habilita a exercer diferentes ocupações. Hoje a demanda do mercado é por profissionais com este tipo de formação: apesar de parecer contraditório, é um especialista generalizante. O economista tem uma formação específica muito sólida, mas ele tem um conhecimento geral muito amplo, ao contrário de outras profissões que são ou generalistas ou especialistas. O curso de economia forma um profissional que tem esta complementaridade".
(Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, em São Paulo, ex-conselheiro federal)

Fonte: http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1840&Itemid=1

Artigo: O Economista é insubstituível

Por Everaldo Leite

O economista precisa ser um estrangeiro olhando para o seu próprio país, cada vez que necessita analisar friamente a conjuntura nacional ou determinados fenômenos em um específico setor. O economista, portanto, deve ser um consultor pragmático de feições gélidas, apontando, às vezes, saídas impopulares. Talvez por isso, por uma questão de aparência e não de essência, seja o mais incompreendido dos profissionais e muitas vezes, seja apontado como “maldito” pela sociedade, por empresários e por muitos políticos. Para eles, o economista é um chato.

O economista já foi acusado de dar seis soluções distintas para um mesmo problema, sendo que cada uma levaria a seis efeitos diretos diferentes, e outros seis colaterais. Já foi acusado, também, por Thomas Carlyle, de ser o arauto de uma ciência sombria, pois está sempre envolvido em assuntos funestos, e é mesmo fácil ligar a sua figura a coisas negativas como crise, inflação, recessão, depressão, quebradeira etc. Inclusive, não seria insensato, hoje, se medir a qualidade de vida de um país pelo tanto de vezes que o nome de um economista é pronunciado nos jornais. Um tipo de índice que prognosticaria: quanto mais se entrevista economistas, pior está o país. Agourento, o economista é tido como uma figura sinistra.

O economista já foi julgado e condenado mil vezes mil vezes por causa de algum plano malfadado ou pelo “simples” motivo de ter mandado confiscar algumas poupanças. Ele é apontado, não raramente, como defensor de políticas econômicas restritivas ou como protetor dos fortes e “opressores” capitalistas. Diz-se pelo mundo que o economista não pensa no social. Que não está aberto para negociação com os movimentos sociais. Que não liga para o meio-ambiente, onde sobrevivem felizes os micos-leões-dourados, as baleias-jubarte e os índios caiapós. Que o economista está sempre pessimista frente às novidades que ferem a sua ortodoxia. Que o economista é um desumano.

Aos cinqüenta e oito anos de profissão, e duzentos e cinqüenta de ciência, o economista ainda não aprendeu a ser benevolente frente a tanta ingratidão. Ainda bem. Deixada às moscas, a sociedade já teria sucumbido às mais intensas guerras e ao espírito irracional do “é meu!”. Sim, porque é o economista que mostra que, face à escassez de recursos, as escolhas são difíceis, que existem oportunidades e seus respectivos custos. É o economista que apresenta à sociedade, aos empresários e aos políticos a idéia mais racional de suas escolhas, que não se resume em suas preferências – que levaria à conflagração brutal –, mas também, e especialmente, em suas restrições orçamentárias. O economista, na verdade, é a virtude e a sociedade sem ele, como diria Nietzsche, seria “a calamidade”.

Pode-se dizer que o economista, como naquela música do Cazuza, vai sobrevivendo, sem um arranhão, da caridade de quem lhe detesta. Isso porque ele é obrigado a lembrar todos os dias ao seu empregador – seja governo ou empresa – que o mundo não flui em leite e mel. Sociólogos podem dizer “coitadinhos dos pobres”, juristas podem indagar “cadê o direito dos pobres” e historiadores podem exclamar “os pobres se dão mal na luta de classes, são oprimidos”. Mas o economista não, ele precisa formular mecanismos, dentro do sistema e da democracia, para que a distribuição de renda seja melhorada e para que haja maiores oportunidades de ascensão. O economista tem que medir o uso dos quatro elementos da natureza, equacionando-os ao uso do capital e da mão-de-obra, e ainda, por fim, tem que medir o impacto disso micro e macroeconomicamente. Ufa!

E dizem que o economista é desumano. Desumana é a inflação, o maior imposto que o pobre poderia pagar pelo seu alimento, pois disso não há contrapartida, somente corrosão do poder de compra do seu salário. É bom lembrar como, nos anos 1990 – depois de uma década perdida, envolta em crise fiscal, com dívida externa na hora da morte e super-ultra-mega-inflação –, uns economistas planejaram e ajudaram a implantar um bem-sucedido plano de estabilização que até hoje mantém as bases do sistema brasileiro. Ruim é escutar, hoje, o cancã cantar: “mas esses economistas só pensam em estabilidade?”. Pior é ver o economista, que poderia ficar indiferente à vozearia, responder: “não, meu filho, pensamos nos ganhos e nas perdas da sociedade!”. A profissão do economista não é a de ser mãe, mas, mesmo assim, ele padece no paraíso.

Sair da armadilha de uma inflação super-indexada e, ao mesmo tempo, instituir um plano de estabilização monetária, é somente um dos exemplos clássicos da importância do economista para a sociedade. O economista calcula tudo e sua formação filosófica, ética, matemática, teórica e trans-disciplinar, o coloca em situação privilegiada entre os outros profissionais, podendo flexibilizar-se entre a consultoria e auditoria de empresas e a tecnoburocracia do setor público, podendo também se especializar em projetos de viabilidade econômico-financeira e ministrar aulas e pesquisas nas faculdades. Além do quê, sua fertilidade de idéias ganha dimensões práticas muito mais sofisticadas e avançadas que a materialidade das teorias conservadoras dos administradores-robozinhos. Não preciso dizer, o economista é um provocador.

Por fim, o economista ainda tem tempo para escrever sobre suas experiências e seus sutis pensamentos, transmitindo informações importantes a outros economistas e outros interessados, quando poderia estar escrevendo seu testamento (já que tantos querem matá-lo). E, pelos bares e becos, afirmam ainda que ele é um pessimista. Que nada, o economista, como está sempre em busca de soluções para as incongruências do sistema, dos setores e das organizações, se mostra um otimista em relação ao futuro da sociedade e ao próprio futuro. Ele sabe que é insubstituível como profissional e, está cada vez mais claro, como pensador desta área das ciências sociais. Na verdade, o economista não se acha, ele é.
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Everaldo Leite é economista e consultor.

Fonte: http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1838&Itemid=1

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os próximos líderes latino-americanos

Eles serão menos hostis em relação ao Ocidente e menos desestabilizadores

Alexandre Marinis

Graças a Chávez, o hemisfério sofrerá com o declínio econômico que normalmente segue-se à estatização

O mundo deveria aguardar ansioso pela próxima geração de líderes latino-americanos. Eles serão menos hostis em relação ao Ocidente e menos inclinados a desestabilizar seus vizinhos. Os atuais líderes da região formaram suas visões políticas lá nos anos 60 e 70, quando os Estados Unidos apoiavam golpes militares para evitar a disseminação do comunismo além das fronteiras de Cuba.

A má vontade gerada pela política dos EUA reverbera hoje entre os líderes políticos na América do Sul e Central, mesmo com a Guerra Fria tendo acabado há 20 anos e os EUA estando centrados no Oriente Médio e Ásia, mais ou menos deixando a região tomar conta de si.

Os futuros líderes da América Latina cresceram vendo o muro de Berlim cair na TV e celebrando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). Conhecem um EUA diferente, que não precisa mais intrometer-se nos assuntos da região para certificar-se de que o capitalismo prevalecerá sobre o comunismo.

Em seu livro "Os Ciclos da História Americana", de 1986, Arthur M. Schlesinger Jr. - ex-auxiliar do presidente John F. Kennedy, contrário à invasão da Baía dos Porcos, em Cuba - afirma que a história dos EUA vive ciclos de 30 anos, entre o interesse privado e o propósito público, o livre mercado e o governo ativista, o capitalismo e a democracia, republicanos e democratas.

Hoje, com a crise financeira mundial fazendo o pêndulo da história afastar-se dos mercados excessivamente desregulados e oscilar em direção aos braços de um governo maior e do capitalismo keynesiano, vale à pena revisitar a ideia de Schlesinger a partir de uma perspectiva internacional.

Uma de suas notáveis ideias reveladoras é que as gerações são delineadas por eventos históricos cruciais que acontecem enquanto os adultos jovens adquirem sua consciência ou identidade política. Esses eventos, que moldam corações e mentes, proporcionam uma visão de mundo que as pessoas compartilharão por toda a vida.

Para os líderes na América Latina, esses eventos-chave incluíram a luta contra regimes militares opressores apoiados por um Tio Sam imperialista. Agarrados ao passado, eles aferram-se à única exigência com a qual conseguem concordar - o fim do embargo de Washington a Cuba -, enquanto assuntos críticos permanecem negligenciados. Deveriam preocupar-se, por exemplo, com as consequências políticas e econômicas que o sentimento neopopulista do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cultiva por toda a América do Sul e Central. Mesmo moderados respeitados, como os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Chile, Michelle Bachelet, deixam de criticar Chávez por alimentar as flamas da tensão e discórdia na região.

Contando com petrodólares e uma força militar poderosa, a autoproclamada revolução socialista de Chávez influenciou o recente golpe de Estado em Honduras e a remilitarização da região, incluindo o conflito entre Colômbia e Equador em 2008, que quase terminou em guerra. E, graças a Chávez, o hemisfério sofrerá com o declínio econômico que normalmente segue-se à estatização de empresas privadas confiscadas, com o prolongamento excessivo dos mandatos presidenciais desfrutado apenas por ditadores e com a restrição da liberdade de imprensa.

A liderança de Chávez se fortalece em função do vácuo político deixado pelo Brasil, maior país da região. Mesmo com seus discursos apaixonados, Lula não pronunciou uma palavra sequer sobre as crescentes evidências de que Chávez teria fornecido armamentos às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo terrorista envolvido com os barões das drogas. Lula também não respondeu às crescentes evidências de que Chávez financiou, de forma ilegal, campanhas políticas na Argentina e Equador, entre outros lugares. Em 2002, documentos da Abin, o serviço nacional de inteligência brasileiro, sugeriram que o Partido dos Trabalhadores, de Lula, poderia ter recebido US$ 5 milhões das Farc. As acusações nunca foram provadas. Na semana passada, Lula disse estar preocupado com o plano do governo da Colômbia de dar acesso aos EUA a sete bases militares para operações contra traficantes de drogas ilegais e os guerrilheiros das Farc. Lula parece concordar com Chávez, que vê o acordo entre Colômbia e EUA como uma "agressão" que deve ser contida com a compra de "vários batalhões" de tanques de fabricação russa.

Lula, contudo, não se opôs ao exercício naval conjunto promovido por Venezuela e Rússia em 2008, que envolveu 16 navios de guerra e 1,6 mil marinheiros russos no Caribe. Durante o exercício, um destróier tornou-se o primeiro navio de guerra russo a cruzar o canal do Panamá desde a Segunda Guerra Mundial. Lula e outros líderes latino-americanos, portanto, parecem ter dois pesos e duas medidas no que se refere a ações militares.

E isso não é nada comparado a Daniel Ortega, da Nicarágua, que acusou as agências de inteligências dos EUA, agindo sem aval do presidente Barack Obama, de terem planejado o golpe que depôs o presidente Manuel Zelaya, de Honduras, em junho. Ortega, claro, não observou a intervenção dos EUA apenas como um jovem na América Latina. Ele liderou o governo sandinista na batalha contra os rebeldes financiados pelos EUA nos anos 80.

"O continente precisa deixar o antiamericanismo para trás, um sinal de imaturidade em minha visão", disse o vice-ministro de Defesa da Colômbia, Sergio Jaramillo, em entrevista ao jornal brasileiro "O Estado de S.Paulo". Jaramillo, de 42 anos, soa mais razoável do que líderes latino-americanos mais experientes. Sua visão de mundo foi formada enquanto estudou no Canadá, Inglaterra, França e Alemanha no fim da década de 80 e início da de 90, quando a Guerra Fria já acabava.

As teorias de Schlesinger merecem ser revisitadas. Explicam o que ocorre no mundo de hoje e como a América Latina mudará para melhor quando as gerações futuras assumirem o controle.

Alexandre Marinis é colunista da "Bloomberg News".


Fonte:http://www.portaldoeconomista.org.br/noticias/os-proximos-lideres-latino-americanos.html